quarta-feira, 24 de março de 2010

Afinal é Bom....!!


"A capital portuguesa foi eleita o melhor destino europeu de 2010. A Associação dos Consumidores Europeus, uma entidade independente e com sede em Bruxelas, colocou à consideração dos consumidores dez destinos e Lisboa foi a favorita.
Para trás nesta «competição» ficaram as cidades de Barcelona, Londres, Copenhaga, Bilbau, Lyon, Amesterdão, Berlim, Praga e Helsínquia.
Entre os critérios tidos em conta para a eleição estava a qualidade de vida e das infra-estruturas, bem como a oferta cultural e turística.
Lisboa destacou-se por se tratar de «uma cidade que soube preservar toda a sua alma e oferecer uma porta de entrada ao Turismo, sem esquecer as suas riquezas sociais e culturais», diz a associação.
Todos os anos esta entidade coloca 25 categorias à votação dos consumidores, mas a categoria das cidades surgiu este ano pela primeira vez. Os consumidores podem escolher entre um leque pré-seleccionado pelos elementos do júri."
....e agora?! Seria isto necessário para darmos valor ao "riquíssimo" património que possuímos, e começarmos finalmente a cuidar deste? Espero que, do "mal o menos", sirva para o Governo, e particularmente a Câmara de Lisboa comece, seriamente, a promover campanhas e meios de trazer a "população Portuguesa" a habitar e a dar mais valor ao espaço urbano de Lisboa!! Sigamos o primeiro passo dado, por motivos acidentais, que a requalificação da Baixa, por Álvaro Siza Vieira, iniciou, enquanto mote para seguir... Vamos devolver o espaço urbano Lisboeta a quem o deve habitar,.......................... o Português!!


"O Lugar do Teatro"

O teatro é profissão, produção, literatura, mas também é espaço físico… Mas, o que é isto de espaço físico? Espaço físico é o espaço/local onde se executam representações dramáticas (ou não), performances dos mais variados tipos, entre os quais se contam, como os mais comuns, os cenários, os edifícios e outros locais destinados à execução destas. Este pode também ser definido como o espaço onde se executa uma acção, quando observada por alguém, ideia defendida por Peter Brook. Porém, a definição de teatro não pode ficar por aqui, uma vez que a própria história deste leva-nos para uma outra realidade. Uma realidade que se cinge ao espaço onde este é executado. “O lugar do teatro”. 

Este é, em parte, o tema que aqui está em questão, de maneira a perceber qual o papel deste na sociedade, mas em particular, no local onde esta se relaciona, a cidade, o espaço urbano e a sua relação com a arquitectura. Esta relação, do teatro enquanto edifício e a cidade, e enquanto actividade teatral e a sociedade, levanta-nos diversas questões, questões essas, que tendem a ser respondidas quando nos deparamos com o processo evolutivo que este (o teatro e tudo o que o envolve enquanto actividade social) tem sofrido. 

O teatro tem como regra geral e princípio, o estar localizado em espaços com carácter social, dos quais há que evidenciar praças, avenidas e ruas, seja ela motivada por estratégias à escala urbana, seja pela tradição social que estes espaços possuem. O que quer isto dizer então?! Isto apresenta uma característica latente no teatro quando se aborda a sua relação interdisciplinar com o espaço urbano, não se limitando apenas a ocupar uma parte da cidade existente, mas principalmente, em transformar esta. Ao longo dos tempos a “actividade teatral” tem vindo a desenvolver-se e é de salientar a crescente cumplicidade que esta tem adquirido, desde os “Antigos”, com a cidade e com o espaço contíguo em si. 

(pequena introdução ao tema desenvolvido na minha tese -em execução-)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Intervenções de outro Âmbito

Aqui fica uma proposta de site para se visitar e observar os vários exercícios elaborados, diferindo em escala, textura, luz e mesmo em tempo.

É um bom exercício que dispensa questões triviais e banais como "não gosto dos desenhos".... é acima de tudo uma constante exploração de temas que o autor vai explorando, e que vai sendo dissertada no lado privado de um pequeno bloco, ou no espaço público, nomeadamente em espaços ruinosos, procurando criar um novo impacto através da manipulação do ambiente que se encontra no mesmo.

Aqui deixo então para quem esteja interessado em conhecer..................................................................... http://blublu.org/sito/walls/2008/001.htm

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Efemeridade "Intemporal"



Em “O Espaço Vazio”, Peter Brook afirma que “Posso chegar a um espaço vazio qualquer e usá-lo como espaço de cena. Uma pessoa atravessa esse espaço vazio enquanto outra pessoa observa – e nada mais é necessário para que ocorra uma acção teatral.”. Ora esta afirmação leva-nos por um caminho diferente daquele que no senso comum nos diz que o teatro é ……. num teatro. Este facto constrói uma relação mais íntima e sólida do teatro, enquanto uma performance, com a arquitectura, seja ela do espaço confinado do teatro, como já foi referido, ou de um outro espaço qualquer, como o espaço urbano/espaço público. Este tipo de abordagem (da encenação face à arquitectura), permite-nos levantar uma série de questões em relação à função para que o espaço arquitectónico é pensado. Como é óbvio, o arquitecto pensa o espaço de acordo com as suas necessidades, de acordo com o programa em que se trabalha, porém, muitos desses espaços têm uma capacidade tal que acabam por ser apropriados de variadíssimas maneiras. Um dos exemplos mais banais é um simples lance de escadas, que apesar de ter o seu uso básico (descer e/ou subir), há outros modos de apropriação das mesmas, consoante a sua integração/envolvente (cenário em que se enquadra), podendo ser usado como auditório, como obstáculo para “skaters”, e em última instância enquanto bancada para venda mercantil, como pode ser observado em Lisboa, ao largo do Panteão Nacional (conhecida como “Feira da Ladra”).


Este lado de cenário urbano é bastante explorado, particularmente em obras públicas, em que se procura fazer uma boa gestão do público/privado, surgindo muitas vezes resultados bastante interessantes com a conjugação destas duas realidades que acabam por coexistir na realidade social do Homem urbano. A realidade urbana, a realidade das cidades… É neste cenário que se exploram e se manipula, de certa maneira, o comportamento do público, no modo de habitar o espaço, tendo em conta que dada a diversidade de culturas que as sociedades actuais apresentam, se vai tornando um verdadeiro desafio para o arquitecto.


Também a evolução das sociedades, “urbanas” principalmente, permite novas abordagens, novos modos de olhar para o espaço na arquitectura, em particular o espaço público, porque quando falo de espaço urbano, temos que ter em conta aquilo que faz parte desta realidade, e o que a caracteriza, e nesse aspecto, não tenho dúvida em afirmar que se trata do Tempo… Quando falo do Tempo, falo da evolução, da mudança, da transformação, da conjugação, do diálogo, do contraste e da harmonia… tudo isto está presente no cenário urbano, tudo isto faz com que nós arquitectos, pensemos o espaço urbano de acordo com este pressuposto de constante metamorfose, em que nada será o que foi um dia…, nada se manterá como foi pensado para ser. Uma obra de arquitectura pensada para um espaço urbano tem que ser pensada enquanto elemento integrante qualificador do cenário urbano que se vai juntar aos demais existentes, tendo em conta essa característica de constante transformação. O cenário urbano é um cenário que se constrói ao longo do tempo, através de várias épocas, várias gerações, e não tem uma definição específica do que é e como é, uma vez que essa variação ocorre, não só através do Tempo, a longo e médio prazo, mas também consoante a hora e o dia, estando dependente se está sol, se não, se é de dia, ou de noite… variações de Tempo e do tempo.

(excerto da minha Tese de Mestrado - em execução-)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Habitar e Sentir Alfama: uma casa para o próprio



"O dar e receber entre as obras e o espaço envolvente. Uma surpresa. Um enriquecimento... um ambiente, uma disposição do espaço construído que comunica com os observadores, habitantes e visitantes e, também, com a vizinhança, que os contagia.
A leitura do local, a descoberta de objectivo, sentido e finalidade do projecto, o projectar, planear e formular da obra é por isso, não um processo línear, mas sim multiplamente entrelaçado."
em, Prefácio do Atmosferas, por Brigitte Labs-Ehlert

...localizada em Alfama, no Largo das Portas do Sol, este projecto está inserido num contexto académico, no âmbito da disciplina de Projecto III, do curso de Arquitectura da Universidade Lusíada de Lisboa. Esta proposta surge da intenção de criar um paradoxo no espaço urbano, voltando as costas a uma vista priveligiada sobre o rio Tejo, voltando as atenções para a cidade.

A proposta promove assim, para além do suposto programa privado que é a habitação, um percurso público que conduz as pessoas até um miradouro/esplanada voltada para a cidade.


Ambos os espaços (habitação/percurso público) resultam pela existência do outro, por exemplo, com a distinção dos espaços programáticos da habitação, e correspondentes diferenciações de pés-direito, o percurso alterna a velocidade de utilização do público, distinguindo o que são espaços de permanência, ou de passagem. Esta variação do percurso, em termos de espaço/tempo é acompanhada pela existência de limites bem delineados, que fazem também eles a distinção do que é o público, permitindo o olhar para a vista que se vai tendo consoante o percurso, e do que é privado, mantendo, lá está, a privacidade, evitando os olhares do público através do muro elevado para o interior do pátio da habitação.

"A habitação não tem de ser um festival de formas e acontecimentos. A habitação é o mais corrente na cidade, portanto tem que ser o mais neutro."
por Manuel Graça Dias


O projecto é, como já dei a entender uma casa-pátio, pátio este através do qual se acede para os vários espaços da habitação, sejam eles espaços privados ou sociais. O espaço da habitação, por assim dizer, é construída em função do pátio, que para além de construir o já referido acesso, faz a separação do social e privado e ainda é fonte luminosa da casa.


A casa é composta por, como já foi dita, duas áreas independentes, uma privada e a outra social. A área privada é composta por uma sala de estar, uma instalação sanitária, um quarto de dormir e um quarto/sala de leitura. Por sua vez, o espaço social, mais virado para a vida social, é composto por uma sala de estar com lareira, uma cozinha e um atelier/espaço de trabalho, que tem acesso directo pelo exterior, não tendo assim que receber as visitas de trabalho no interior da habitação. O acesso a estes espaços sociais é efectuado através de um "alpendre" (espaço de transição) existente no pátio, ou seja, um espaço exterior coberto.


A proposta seria construída em betão e teria tratamento diferenciado no espaço da habitação para o espaço público do percurso. Na habitação, as paredes seriam rebocadas e pintadas de branco, existindo um embasamento em pedra lioz no pátio. Este pátio possuíria pavimento em gravilha, à excepção da zona coberta, em que seria forrada a pedra lioz. No seu interior, as paredes seriam tamém elas pintadas de branco, e os pavimentos seriam em madeira maciça de pinho de Riga nos espaços privados, e pedra mármore "Cristalino Lagoa" nos espaços sociais.


Quanto ao espaço público, seria todo ele forrado em pedra lioz. Estes materiais, nomeadamente os de exterior, foram escolhidos de maneira a procurar respeitar o uso tradicional de materiais da região de Lisboa, procurando também aqui uma maior relação com o sítio...

P.S.: mais tarde será adicionada mais informação digital, plantas, cortes, diagramas e renders para melhorar e facilitar a leitura... obrigado pela compreensão!